Voto em Branco

Não!

Não votarei em corruptos, nem aqueles parasitas da Petrobrás, e de tantos outros esquemas sórdidos, nem aqueles que recebem privilégios imorais sem nem enrubescer.

Não votarei na mediocridade daqueles que se gabam de não gostar de leitura ou do estudo, nem daqueles que mostram orgulho em não buscar conhecer as soluções para alguns dos problemas nacionais.

Não votarei no ódio daqueles que iniciaram um projeto de divisão do país (entre o “nós X eles”), plantando as sementes da discórdia violenta e trevosa entre os mais importantes setores sociais.

Não votarei nos ovos podres e venenosos dessa serpente, prestes a eclodir em fascismos, vermelho e verde-oliva, incapazes do diálogo.

Não votarei na violência, na desordem, ou no desrespeito aos Direitos Humanos…

Não votarei no criador do CAOS, Lula, nem em seu opositor-criatura, Bolsonaro.

Não votarei, por fim, num pau mandado escamoteador que se ajoelha ante um ardiloso e maquiavélico projeto de poder!

 

Sim!

Sim, votarei no fortalecimento das forças equilibradas do Congresso Nacional.

Sim, votarei na maior participação ativa e cidadã da sociedade civil.

Sim, votarei no amadurecimento democrático do Cidadão Brasileiro.

Sim, votarei no constante aprimoramento e fortalecimento do Estado Democrático de Direito.

Sim, votarei pela Educação de Qualidade, condição necessária à instrução social.

Sim, votarei na Paz, na Harmonia e na Concórdia.

Sim, votarei no aprofundamento democrático!

 

Democracia não é uma escolha de Sofia, em que nos encontramos diante de uma escolha inexorável que sempre nos trará trágicas conseqüências… Ela não se resume a um voto vazio e mal-denominado útil.

Democracia trata-se de vontade da maioria, condicionada pelo respeito aos direitos das minorias, tendente a aprofundar a densidade dos Direitos Humanos. Ou seja, o voto deve ser entendido em suas múltiplas funções, muita mais amplas que a mera escolha de representantes:

– o voto confere legitimidade ao candidato – quanto maior o número de votos, mais fielmente o candidato represente a vontade do eleitorado, e, portanto, acaba por possuir melhores condições para conduzir seus misteres;

– o voto comunica a vontade do eleitorado aos eleitos, fazendo, assim, com que os governos sejam muito mais consentâneos com a vontade cidadã.

Portanto, ao votar em uma das duas péssimas opções que se apresentam ao Palácio do Planalto, ainda que de maneira “Útil”, ou para barrar a chamada pior opção, estar-se-á conferindo legitimidade a quem não a merece, e comunicando erroneamente sua vontade eleitoral.

Neste sentido, o voto em branco é aquele mais apto a enfraquecer ambas opções: quanto menos votos, menos legítimo ou apto a impor planos de governo desastrosos e mirabolantes; da mesma forma, a comunicação que todos os eleitos receberão é que grande parte do eleitorado está insatisfeito com ambas opções, exigindo uma renovação, muito mais de posturas, práticas e valores, que de nomes…

Mas, qual a diferença dele para o voto nulo, ou a simples abstenção? A função comunicativa do voto é completamente diferente: ainda que de idêntico valor eleitoral (votos nulos, em branco, ou abstenções não são computadas para qualquer efeito), o voto nulo pode ser interpretado como um erro de digitação, ao passo que a abstenção pode ser interpretada como a existência de um obstáculo impeditivo ao voto.

Só o voto em branco, já que nele o eleitor comparece à urna, e, conscientemente, escolhe a tecla “BRANCO”, comunica esta mensagem, vinculando os eleitos a práticas inovadoras.

É sempre bom ressaltar que o Presidente eleito está vinculado aos ditames da Constituição Federal (Democracia, Direitos Humanos, Limitação de Poderes, etc…) e da Lei. Isso significa que ele não estará absoluto no poder, mas sempre vinculado às normas constitucionais.

Vale lembrar que o Congresso foi palco de uma renovação sem precedentes, em que grande parte das vetustas oligarquias perdeu espaço, permanecendo aqueles, em maior ou menor medida, sintonizados com os anseios advindos da Sociedade.

Também, vale frisar, a pedra angular da Democracia: a participação ativa dos cidadão, fiscalizando a atuação parlamentar, manifestando-se, instruindo-se, buscando soluções, e participando dos Governos.

É assim que o voto em branco assume importância capital: ao escolher votar CONTRA o Presidente eleito, estarei fortalecendo a Participação Cidadã, a Constituição Federal, o Congresso Nacional, e as demais Instituições Democráticas.