Um caminhão de motivos para privatizar

A demissão de Pedro Parente da presidência da Petrobras representou o desfecho melancólico do governo Temer. O viés aparentemente liberal dissolveu-se até retornar à velha política, que tem o fisiologismo, a demagogia e a corrupção como métodos de perpetuação do poder. Na economia, é representada pelo Estado gigante que abre seus tentáculos para controlar a vida de todos – e, depois, cobrar por isso.

A greve dos caminhoneiros, que precipitou a crise dos combustíveis, foi o ápice de uma sucessão de erros. É consequência da incúria de governos sucessivos, que optaram pelo incentivo seletivo aos automóveis. Da má gestão da União, incapaz de se antecipar à greve. Das concessões bilionárias a categorias privilegiadas, como os servidores. Do Parlamento, que boicotou reformas imprescindíveis ao reequilíbrio fiscal, como a da Previdência. Do governo Dilma, responsável pela desordem nas contas públicas. Do tabu de setores da esquerda e ultradireita em relação à iniciativa privada.

Mas não nos enganemos: o que está muito ruim pode ficar pior. Até as eleições, quando escolheremos o Brasil do futuro, é preciso responsabilidade dos agentes públicos. No Congresso, não é hora de pensar nas urnas, mas no país. O governo deve evitar o populismo e retomar a política fiscal responsável. E a Petrobras tem de perseverar no caminho da recuperação, mas sem ignorar o consumidor.

O debate eleitoral precisa incluir temas cruciais como o monopólio da Petrobras e a prevalência do transporte rodoviário em relação ao ferroviário e hidroviário. Não se trata de controlar a empresa, mas de abrir o mercado à competição. A concorrência regula os preços e incentiva a produtividade.

Por fim, candidatos e sociedade necessitam debater com desprendimento as privatizações, sem viés ideológico. A pergunta central deve ser: qual o sistema que melhor atenderá os anseios da cidadania? Eis a resposta certa: aquele que oferecer os melhores serviços pelo menor custo – o que pressupõe menor intervenção estatal na economia.