Tele Atendimento e outras propostas para a SAÚDE no Brasil

A Saúde é apontada, frequentemente, como a área mais deficiente do serviço público oferecido no país. Os problemas com a saúde pública eclodem de todos os lados: subfinanciamento, desperdícios, má qualidade de gestão, desvios, judicialização.

Nós já tivemos alguns avanços, em alguns setores há excelência, contrastando brutalmente com a precariedade de outros setores. O modelo atual, embora tenha áreas de excelência, no conjunto funciona precariamente e o aumento de investimentos na área não resulta em assistência de qualidade.

Temos que adotar uma nova política de saúde que estanque os desperdícios e aumente a eficiência.

O excesso de regulamentação do Estado sufoca o sistema. Nenhum plano de saúde vai conseguir cobrir 3000 procedimentos sem ser caríssimo. As operadoras quebram, diminui a concorrência e o consumidor é prejudicado. Uma medida urgente é reduzir a interferência do Estado abrindo espaço para a iniciativa privada que poderia criar planos de saúde focados em nichos, por exemplo, para motoboys, construção civil, diabéticos, cardíacos. Uma outra possibilidade é o modelo de Coparticipação, que traz uma maior racionalidade de gastos.

O “acesso universal à saúde” é um preceito emocional da Constituição de 1988, não é uma realidade. Trouxe o que parecia ser um avanço, a municipalização da Saúde, entretanto, a autonomia dada por essa municipalização e a estrutura dos nossos municípios trouxe aumento de custo e diminuição de uma efetividade do serviço de saúde. Nosso pacto federativo não funciona: SP faz 40% de atendimento de alta complexidade do país. É preciso descentralizar e levar melhores condições de saúde ao país como um todo.

O Brasil tem 5.568 municípios, 90% deles praticamente não arrecadam e vivem de mesada constitucional, sendo que 3.810 municípios têm menos de 20 mil habitantes, não têm uma Secretaria da Saúde e acabam pondo à frente da qualidade da saúde as disputas internas locais, alheias ao povo. Há cidades com maternidades montadas completas, onde nascem apenas 1,5 bebês por dia… E a estrutura está aí, custando dinheiro público. O Poder Central precisa ter uma direção mais adequada para poder resolver os problemas da área. Precisamos de leis que estimulem as parcerias público-privadas, a simplificação da enormidade de regulações do setor, a inovação e o uso da tecnologia. Unidades de Atendimento e Hospitais podem ser geridos por entidades privadas e serem públicos e gratuitos, mediante contrato público-privado. Necessitamos de um sistema regulado pelo governo e realizado pela iniciativa privada, o que irá baratear os custos e aumentar a eficiência.

Temos que fazer uma rede para otimizar os recursos investidos. Na verdade, o sistema de saúde é complexo, podemos falar em uma cadeia produtiva o que só pode ser concebido com o uso da tecnologia.

Atrair e reter profissionais de saúde para pequenos povoados continua a ser uma tarefa muito difícil. Após anos de estudo para se qualificar, o senso de isolamento experimentado por eles vivendo em localidades distantes dos centros disseminadores do saber dificulta sua permanência. Aumentar a possibilidade de atuação do profissional brasileiro para que possa usar sua sua mente em lugares onde ele não possa estar torna-se inevitável.

O uso da eletrônica para substituir algumas consultas tradicionais é uma necessidade para um país continental como o nosso, ou seja, prover atendimento à distância, rápido e efetivo, usando meios digitais.  70% dos casos no país se resolvem pelo atendimento clínico.

Esse tipo de inovação –  o Tele Atendimento em Saúde –  facilita ultrapassar as fronteiras e atingir populações difíceis de serem alcançadas. Os serviços são fornecidos ao vivo, através de vídeo conferência interativa de alta definição. Tudo o que é necessário são duas estações equipadas convenientemente e internet banda larga dando acesso a consultas, diagnósticos, exames e tratamentos feitos à distância, congregando médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, fonoaudiólogos, etc…  Isso é comprovadamente possível, já temos tecnologia para tanto. Os benefícios são imensos, na prontidão do atendimento, na redução das filas de espera, na redução das reinternações, na redução dos custos e sobretudo na prevenção. Esse tipo de inovação promove equidade em saúde. Os serviços podem ser prestados através de empresas, de hospitais, ou de forma privada, beneficiando os usuários do SUS, da saúde complementar e privada.

É necessário proceder à regulação do Tele Atendimento em Saúde no Brasil, estabelecendo as normas éticas que forneçam segurança aos cuidados à distância. Sua implantação, por trazer uma mudança no paradigma da relação profissional-paciente deverá ser feita cuidadosa e paulatinamente, em um processo de mudança de cultura das relações tradicionais.