Porque é importante transformar o RH do governo

Eu nunca vi uma organização ter sucesso sem que tivesse um bom time, uma liderança inspiradora e alguma clareza quanto ao propósito a ser alcançado por todas estas pessoas juntas. Tristemente, a máquina pública brasileira sofre da ausência de quase tudo isso. Transformar o RH do governo trata exatamente deste problema. Para quem acompanha meu trabalho, já sabe que eu considero este um eixo central para mudarmos a realidade do nosso governo e do nosso país.

Quando eu falo em transformar o RH do governo, são mudanças em várias dimensões e de vários tamanhos diferentes, mas que em seu conjunto poderão trazer um impacto positivo enorme. Os exemplos vão desde a forma como selecionamos os servidores, como definimos quem serão as lideranças que vão ocupar os cargos de confiança, a maneira como formamos e desenvolvemos o servidor ao longo de sua trajetória profissional. Também passa por medir efetivamente seus resultados e, assim, reconhecer os bons funcionários e dar oportunidade para cada um crescer na carreira. Da mesma forma, é necessário que existam consequências efetivas para quem não está entregando resultados, não está melhorando ou está causando danos à máquina pública. Hoje, todos estes temas estão aptos para discussão, inovação e transformação em profundidade.

E por que isso importa?

Porque existem milhões de brasileiros que dependem dos serviços públicos para ter uma vida digna e ter oportunidade de crescer e prosperar. São os mais pobres e vulneráveis que dependem mais do governo e, sem transformar o RH do governo, a qualidade dos serviços públicos não irá melhorar.

Na área da Educação, por exemplo, é comum vermos escolas públicas onde faltam funcionários para tocar o dia a dia, onde existem professores desmotivados, outros sobrecarregados, e até mesmo professores que se recusam a dar aula. É comum também que o diretor – que é um verdadeiro gerente que faz funcionar a escola – não teve formação para liderar e gerenciar. Geralmente, ele era um professor que, por falta de opções de carreira, decidiu seguir o caminho gerencial. Mesmo que seu talento e sua paixão fossem a sala de aula, hoje este caminho para crescer na carreira do professor praticamente não existe. Este mesmo diretor, se quiser demitir aquele professor que se recusa a dar aula, não consegue, é um fato praticamente impossível de ser alcançado dentro das regras e práticas atuais.

Agora, por um minuto, faça este exercício: imagine que você também dá aula nesta escola. Você trabalha arduamente pelo aprendizado dos seus alunos, com paixão e dedicação acima da média. No final do ano, como você se sentiria ao ver um colega professor que falta muito, que não se importa com os alunos ou que se recusa a dar aula, ganhando a mesma coisa que você? E ao perceber que não há praticamente nenhuma consequência, que nada acontece com ele? E depois de 10 anos vendo isso se repetir e nada acontecer, como você se sentiria? E depois de 20 anos?

São poucas as pessoas que tem força e estrutura emocional para não se abalar e desmotivar neste contexto. Estou 100% convencida que temos que transformar o RH do governo para poder destravar este grande potencial dos servidores públicos que são apaixonados pelo seu propósito de servir. Tirar da máquina pública as pessoas que não tem um desempenho e um comportamento adequado terá um efeito ganha-ganha: é bom para elevar a motivação do time que fica, é bom para atrair mais gente talentosa e é justo com a sociedade, que paga pelos salários de todos e merece um retorno efetivo.