“O país não pode mais ser tão patrimonialista”

Em uma coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (22), o Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, anunciou a privatização da Eletrobrás. De acordo com o ministro, o processo deve ser concluído até o final do primeiro semestre de 2018. A notícia gerou um impacto imediato nos mercados locais, com a alta de mais de 35% nas ações da estatal.

O anúncio também foi recebido com otimismo pelo economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e especialista do Instituto Millenium. Segundo ele, a interferência do Estado tem sido prejudicial à empresa por obrigá-la a investir em projetos que não apresentam taxa de retorno adequada e assumir dívidas para gerar energia no norte do Brasil, além de indicar diretores tendo por base critérios políticos, e não meritocráticos.

Pires defende que não é possível resolver os problemas da Eletrobras sem uma política de privatização. O economista explica como funcionam as etapas do modelo de privatização a ser adotado, e afirma que a decisão trará inúmeros benefícios, pois permitirá que a empresa adquira mais agilidade e eficiência, pague impostos e dividendos e gere mais empregos com a entrada de novos investimentos. “Aí sim poderemos acabar com os privilégios que existem hoje por parte dos partidos políticos e das corporações, que, no fundo, são os grupos de privilegiados que sempre foram donos das empresas estatais. Isso é o início de um processo em que o governo finalmente parece estar entendendo que a agenda positiva no Brasil hoje é a de privatização”.

Ele pondera que o processo tende a ser mais demorado em função da grave instabilidade política que afeta o país, mas acredita ser esse o caminho ideal. “Não faz sentido um país como o Brasil ter mais de 150 empresas estatais. O país não pode mais ser ser tão patrimonialista. O contribuinte está cansado de pôr seu dinheiro nessas empresas e ver que é aplicado de maneira ineficiente e corrupta”.

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