Mesmas escolhas, mesmos problemas

É atribuída ao físico Albert Einstein esta memorável frase: “insanidade é continuar fazendo as mesmas coisas e esperar resultados diferentes”. E não precisa ser nenhum gênio para que essa conclusão salte aos olhos, sobretudo quando olhamos para os problemas do Brasil e para a situação da política nacional. Tradicionais partidos e velhos governantes já provaram ser incapazes de lidar com a complexidade do país. Os desafios são os mesmos há anos, cada vez mais graves e consolidados.

Agora, em 2018, o Brasil tem a sua melhor oportunidade de tentar algo novo. O primeiro passo é reconhecer que a democracia é o regime da maioria. Falo de milhões que pagam a conta do governo na forma de impostos absurdos. Gente apartidária, que não pertence a grupos de interesse privilegiados, às elites sindicais ou às elites estatais. Cidadãos que não se conformam com a péssima qualidade dos serviços públicos, pelos quais todos nós pagamos – e caro.

Mas além do foco em melhorar a vida da maioria das pessoas, precisamos de uma abordagem mais profissional na gestão pública. É impossível resolver um problema sem estudo, troca de experiências e debate. Também não dá para saná-lo com ideias pré-concebidas ou com ideologia. Preço da gasolina na bomba e fila no hospital não se resolvem politizando e partidarizando tudo. Aos olhos da velha política, o desempregado não pode virar motorista autônomo porque o Uber é “capitalista e malvado”, por exemplo. Para o político profissional, o problema do cidadão é só um trampolim para a carreira pública.

Por fim, tão importante quanto o protagonismo da maioria e a abordagem profissional para solucionar problemas, precisamos inovar nas soluções. Mudar o paradigma. Já vimos como não funciona a mescla de governo ineficiente, Estado gigante, privilégios para poucos e impostos para todos. É assim há décadas e, obviamente, está dando errado. Ou tu acreditas que a solução é o governo ter empresas estatais? Que as superaposentadorias do serviço público são justas? Que é razoável manter a tributação como está ou aumentá-la?

Espero, sinceramente, que não. Precisamos inovar. E nas eleições que se aproximam, o desejo de inovação pode ser traduzido por renovação política. Nosso voto é pessoal, e cada pessoa tem o direito de pensar da forma que quiser, mas Einstein acharia insano se elegêssemos os mesmos de sempre.