Em que apostam os otimistas com o Brasil?

Há no mundo uma enorme expectativa quanto ao resultado das eleições do ano que vem no Brasil.

A depender da política brasileira, o país pode ter rapidamente sua bolsa superando a marca dos 100 mil pontos e acelerar o processo de liberação de investimentos em áreas de infraestrutura como portos, rodovias e ferrovias.

Ao contrário, o país experimentaria um prolongamento da incerteza, dependendo do caminho que escolher.

Muitos apostam na primeira hipótese. Neles, prevalecem as forças da esperança sobre as da experiência. São os otimistas com o Brasil.

É inegável, claro, a decepção com agenda de reformas que se imaginava estar mais avançada neste momento, como a da Previdência e a tributária.

Mas para os otimistas, no geral, é notável a satisfação pela adoção de medidas como o teto de gastos e a reforma trabalhista. O Brasil está melhor agora do que há um ano e meio. Essa é também a percepção também do investidor externo otimista.

Em 2017, conseguiremos trazer a taxa de inflação para baixo da meta fixada pelo governo, nível que estava em dois dígitos há cerca de dois anos. Nesse aspecto, a impressão é de que ocorreu um verdadeiro milagre no Brasil. Não só o país parou de piorar, como assumiu uma trajetória de crescimento com a indústria, que estava dormente há muito tempo, num papel importante de retomada, e os números de novembro passado revelam isso.

Também se vê com satisfação a melhoria do patamar de governança em unidades controladas pelo governo, como é o caso da Petrobras, da Eletrobras e do BNDES. Além disso, os otimistas ressaltam sua visão do “avanço institucional brasileiro” ilustrado pela figura da Lava Jato.

Há nos otimistas um pouco a ideia de que a transparência vai avançar tanto no Brasil como resultado da Lava Jato que, no médio prazo, aqueles que colocarem suas apostas no Brasil vão acabar recebendo bônus importantes.

São três as agendas em que os otimistas entendem que o Brasil precisa avançar: a primeira é a do equilíbrio fiscal; a segunda, das reformas, e a terceira é o Brasil ter uma visão mínima de estratégia para lidar com as oportunidades e afastar os riscos que estão passando no horizonte.

O ajuste macroeconômico deu uma boa melhorada por conta da queda da taxa de inflação, o que diminui colateralmente o serviço da dívida brasileira e houve uma apreciação do real sem necessariamente diminuir o ritmo das exportações.

Isso tudo ainda não é suficiente para solucionar o rombo deixado no último período, sobretudo de Dilma, o que faz com que a questão fiscal ainda não esteja resolvida e ela passe para além da discussão de corte de gastos e tenha de entrar no tema das reformas estruturais.

Os otimistas enxergam que o Brasil conseguiu limpar um pouco a área trabalhista, mas ainda tem o fardo dos impostos. Hoje a carga tributária com o percentual do PIB é 36% no Brasil. Na China, que no papel é comunista, é a metade: 18%. No Chile, 25%.

Se fosse só a carga tributária era uma coisa, mas ainda tem o grau de complexidade e o montante de horas que empresas precisam dedicar para cumprir com suas obrigações com o Fisco, o que faz o Brasil ocupar uma das últimas posições no ranking de facilidade de negócios. Isso, para os otimistas, mudará com um presidente simplificador e pró-mercado.

Outro ponto é a Previdência, que caminha rapidamente para a tragédia, assim como aconteceu na Grécia, em Portugal e na Espanha. Além disso, é preciso planejamento para lidar com o mundo hoje, em que metade da população mundial tem uma renda média de US$ 3.000 por ano e que vai crescer mais de 5% ao ano, todo ano, nos próximos 15 anos. Quando cresce a renda a partir de tais patamares, se consomem mais alimentos, mais estrutura residencial e empresarial.

Para os otimistas, isso significa que o cenário internacional está dando imensas oportunidades para o Brasil tornar-se ainda mais um grande exportador de alimentos, de matérias-primas minerais, e commodities agrícolas.

O ano de 2017 foi da retomada, eis a leitura dos otimistas. Para eles, em 2018, devemos ter um crescimento entre 2% e 3%, o que pode se acelerar ainda mais se ficar claro lá para o meio do ano que não teremos uma vitória nas urnas de uma candidatura intervencionista.

Em suma, otimistas com o Brasil apostam na vitória de um candidato pró-mercado, comprometido com as reformas e um ambiente de negócios mais liberal. Será que eles estão certos?

Fonte: “Folha de S. Paulo”, 14/12/2017