A Reforma da Previdência e o Futuro do Brasil

Esta semana foi divulgado o rombo recorde de 180 bilhões do sistema previdenciário no ano passado. Diferentemente do que vem sendo alardeado por alguns grupos, tal déficit continuará aumentando, e decorre basicamente de três fatores.

Estamos vivendo mais, o que é ótima notícia. Só que os parâmetros atuariais do sistema previdenciário vigente foram feitos para a longevidade de 1950, e requerem uma atualização. Além disso, a taxa de crescimento da população brasileira vem diminuindo – fruto da forte migração da população para áreas urbanas das últimas décadas – e no limite tenderemos a uma sociedade com um aposentado para cada três contribuintes na ativa. A conta não vai fechar. Soma-se a isso o fato de que há regras que criam grupos privilegiados no sistema. O resultado é que exibimos, com pouco orgulho, uma das previdências que mais gasta no mundo relativamente à nossa renda média. E somos um país de população ainda jovem.

A dificuldade da aprovação da reforma da previdência evoca uma incompreensível premissa de que a maioria do povo é contrário ao tema. Suspeito que há um certo ruído nesta constatação; suficiente, porém, para amedrontar congressistas a assumir sua responsabilidade cívica em um ano eleitoral. Tal ruído decorre de grupos potencialmente prejudicados pela reforma, cujo terrorismo midiático torna paupérrimo e desconectado da realidade qualquer debate sobre este assunto. À turma do contra juntam-se os partidos de oposição ao governo, os quais temem a onda de otimismo decorrente da aprovação da reforma, com potência para desequilibrar o jogo eleitoral de outubro.

A calamidade do atraso na folha do funcionalismo público do nosso estado e do Rio de Janeiro são trailers do filme que protagonizará o Brasil caso a reforma não avance. Cabe a nós promover o debate responsável sobre o tema. E aos políticos, que ajam com coragem e compromisso com o futuro da nação!

Valter Bianchi Filho

Jornal do Comércio, 05/02/18